sexta-feira, 27 de julho de 2012

O calcanhar que pensava!

No próximo sábado o Corinthians presta uma homenagem a um dos maiores ídolos de sua história: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, nascido em Belém, no Pará, em 19 de fevereiro de 1954, e falecido em São Paulo, em 4 de dezembro de 2011.

Personagem da vida brasileira, Doutor Sócrates, como era conhecido no mundo futebolístico por ter concluído o curso de medicina, ou apenas Magrão, culpa da silhueta esquálida (eram 85 quilos distribuídos por mais de 1,90 metros de altura), foi destaque no Botafogo de Ribeiro Preto, na segunda metade da década de 70, o que fez com que o Corinthians se interessasse pelo seu passe.

Nesse mesmo Botafogo, Magro já mostrava que a inteligência era a melhor saída para as dificuldades. Por conta da necessidade da agilidade para as jogadas rápidas, ele driblou a eventual desvantagem atribuída pela altura e passou a efetuar passes de primeira utilizando-se do toque de calcanhar, que se tornou uma espécie de assinatura.

Tive a felicidade de ver e até de conviver com essa figura ímpar, autêntica, de personalidade marcante, avessa ao beija-mão tão comum no mundo da bola. Por questões de princípios não era raro que ele recusasse até receber homenagem vinda de certos dirigentes. Seu talento como atleta correu o globo. Marcou posição na inesquecível seleção canarinha que encantou (mas não venceu) a Copa do Mundo de 82, na Espanha. Recentemente a Rede Globo exibiu um especial sobre essa campanha, e numa das entrevistas um cidadão espanhol chorou ao falar de Sócrates, demonstrando que a linguagem do craque era mesmo universal.

Num dos encontros inesquecíveis que a vida me proporcionou, estivemos juntos no restaurante do Wilsinho, o Vila Tavola, no Bexiga, durante a concentração da Ala da Memória Corinthiana para o carnaval de 2005, quando a Gaviões da Fiel estava no Grupo de Acesso.

Outra passagem foi a homenagem que fizemos a ele na quadra da agremiação alvinegra, ocasião em que ele chegou por volta das 21 horas e só foi embora no dia seguinte. Passamos a noite lembrando as várias histórias da torcida, os jogos e principalmente cantando pérolas da música nacional. E quando ele finalmente foi embora, resolveu dar carona a um gavião que morava no extremo leste da cidade. Lá chegando deixou o amigo onde ele havia pedido. E qual não foi a surpresa do amigo quando saiu à rua, por volta das 11 horas, e encontrou o Dr. conversando animadamente com um cidadão que jamais havia visto.



Magro era daquelas pessoas especiais, que até poderia ter o rei na barriga, mas que preferiu ser como a maioria do povão é: simples. Tenho na memória inúmeros lances protagonizados por ele e que talvez rendesse um pequeno livro. Mas se tivesse que escolher apenas um, ficaria com o calcanhar que ele deu contra o Santos, na final do primeiro turno do campeonato de 1978, no Morumbi, que terminou numa penalidade a favor do Corinthians. Nessa jogada ele recebeu a bola no lado esquerdo no campo de ataque, carregou por dentro em direção à meia-lua e quando todos imaginavam que pudesse soltar uma bomba pra cima do goleiro adversário, de calcanhar ele deixou Palhinha na cara do gol. A jogada acabou em pênalti cobrado por Zé Maria e defendido pelo goleiro Vítor. Ao Timão só a vitória interessava e ela veio no segundo tempo com um gol chorado de Palhinha que deu ao Corinthians o título de campeão do primeiro turno, a Taça Cidade de São Paulo.

Magrão já é eterno na mente daqueles que o conheceram, daqueles que assistem aos vídeos com imagens suas atuando como atleta ou comentarista, ou ainda, como ativista político que não se furtou em lutar contra a ditadura. Confesso que nunca fui de bajular jogadores. Como membro ativo da torcida organizada sempre mantive distância para que pudesse cobrá-los quando fosse necessário. Mas do Sócrates até pôster mandei enquadrar, uma foto de corpo inteiro, publicada pela extinta Gazeta Esportiva.

Posso até dizer que Sócrates é um dos responsáveis pela formação do Comitê de Preservação da Memória Corinthiana (CPMC). No final da década de 90 conheci formandos de um curso de jornalismo que trabalhavam na feitura da biografia do ídolo – e eu fui um dos entrevistados. Os alunos eram os hoje jornalistas, Patricia Favalle, Adriana Brito, Anita Rodrigues e Fabiano Souza. Anos mais tarde, quando decidi fazer um evento comemorativo dos 25 anos da conquista do título paulista de 1977, retomei o contato com alguns desses profissionais, que prontamente aceitaram o convite e ajudaram a fundar o CPMC.

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira agora é imortalizado em forma de busto na praça da Liberdade, dentro do Parque São Jorge, justamente onde um dia existiu a “casinha branca”, bunker que abrigava o já falecido Nesi Curi, tido como turrão e até autócrata da história alvinegra...

Convoco aos que tem espírito de liberdade e de humildade a estarem no clube neste sábado, a partir das 10 horas da manhã para acompanhar a cerimônia.


Final do primeiro turno de 1978: Polícia prende surdo e São Jorge. Sócrates protagoniza um dos lances mais lindo que eu vi das arquibancadas do Morumbi.




Ernesto Teixeira – A voz da Fiel
Torcedor corinthiano; sócio, intérprete e compositor da Gaviões (8.005); sócio do Corinthians (305.216); idealizador do Comitê de Preservação da Memória Corinthiana (CPMC); colaborador da Rádio Coringão.
Formado em Gestão Desportiva e de Lazer pela Faculdade Drummond


quarta-feira, 18 de julho de 2012

AQUI REPOUSA UM CAMPEÃO: JAMELÃO


Infelizmente não conseguirei chegar a tempo de prestar a última homenagem ao nosso ex-presidente Paulo Romano, mais conhecido como Jamelão. Ele faleceu ontem e hoje as 15 horas será sepultado no Cemitério do Araça, próximo ao lugar onde tantas vezes vimos o nosso Corinthians jogar, o Pacaembu.
Jamelão marcou na nossa história por seu jeito inconfundível, tamanho, a voz grave, palavreado cheio de gírias, e pontos de vista defendidos com veemência.

Sua trajetória administrativa contou com muitos embates e transformações, pois foi o início de um maior cerceamento por parte das entidades que administram o futebol e também o ministério público tentando aquilo que jamais conseguirão: ACABAR COM A GAVIÕES.

Muitas vezes tive a oportunidade de conversar com ele demonstrando o que penso da vida, das pessoas, dos Gaviões e do Corinthians e também ouvi o que ele pensava a esse respeito.
Por um bom tempo, dada a correria do dia a dia e as transformações constantes da nossa entidade e da sociedade em geral, não tive mais contato, o que voltou a acontecer no final do ano passado, com ele compartilhando de uma situação onde o foco era a carreira do meu filho como jogador de futebol. Falamos muito e ele mais que compreendeu o que está acontecendo e dentro das suas possibilidades se prontificou em colaborar. Gesto que me deixou extremamente agradecido. Neste momento sinto que até perdi um aliado nessa luta pessoal, que também tem a causa corinthiana como fundo, afinal falamos de comportamentos e procedimentos adotados nas categorias de base e no futebol profissional do nosso clube.

Deixo aqui minha solidariedade à família, em especial ao pai, a quem tenho como amigo e dedico grande consideração.

JAMELÃO SE VAI E LEVA CONSIGO PARA MOSTRAR AOS QUE LÁ NO CEU O ESPERAM A FAIXA DE CAMPEÃO INVICTO DA LIBERTADORES 2012.

“FAÇAM MAIS UMA COISA POR MIM, UMA PLACA ESCRITA ASSIM: AQUI REPOUSA UM CAMPEÃO!”
SC!

Ernesto Teixeira – A voz da Fiel
Torcedor corinthiano; sócio, intérprete e compositor da Gaviões (8.005); sócio do Corinthians (305.216); idealizador do Comitê de Preservação da Memória Corinthiana (CPMC); colaborador da Rádio Coringão.
Formado em Gestão Desportiva e de Lazer pela Faculdade Drummond

segunda-feira, 9 de julho de 2012

FUTEBOL BUSINESS: Ao patrocinador cabe patrocinar!





Ainda quando ocupava o cargo de diretor de futebol, o atual presidente Mario Gobbi passou por momentos de tensão no Parque São Jorge, provocados por uma declaração dando conta de que o futebol hoje é business, em português: negócios.


Boa parte da torcida, alguns levados pela emoção e outros, talvez por questões políticas, chegaram às vias de fato contra o então diretor dentro do clube, com cadeiras sendo atiradas sobre ele. Tudo porque Gobbi havia dito que "se fosse preciso, venderia atletas para fazer caixa para o clube".


Hoje, ocupando a posição sonhada pela maioria dos 30 milhões de loucos, a de presidente do Corinthians, Gobbi tem acesso a realidade de a quantas anda o numerário do clube; as negociações, o que é fato ou o que é boato. E uma coisa ele já sabe: dia 5 é a data para saldar os salários e muitas outras obrigações. Então, mais do que nunca, ele deve pensar que futebol é negócio!


Por conta disso, faço questão de esclarecer o meu ponto de vista. Hoje (9 de julho), ao assistir o programa Os Donos da Bola, na Band, comandado pelo ex-jogador Neto, vi que eles mostravam a camisa oficial do Corinthians com uma tarja preta no local onde está o nome do principal patrocinador: IVECO. O apresentador até chegou a dizer que a tarja foi colocada ali porque o patrocinador do time não era patrocinador do programa. Absurdo!


Poderíamos iniciar aqui um ciclo de debates para chegar a uma conclusão, mas prefiro ir direto ao problema. O clube se movimenta para conseguir alguém para estampar seu nome no uniforme. Negociações são feitas até se chegar a um contrato assinado. Óbvio que quem está do lado de lá, do patrocinador, está pensando em quanto seu nome será exposto, não apenas nas partidas, mas também na quantidade de peças comercializadas, quase que eternizadas - quantas Kalungas não vemos até hoje? -, e veiculadas em fotos e presença de atletas ou torcedores em programas esportivos.


Não se pode obrigar um programa esportivo a citar um patrocinador do clube, afinal eles também correm atrás dos seus apoiadores. Mas deve existir um limite ético que, no mínimo, impeça quem quer que seja de alterar nome em narração ou o que me parece mais grave, adulterar o uniforme, pois a tarja preta não faz parte da indumentária do Corinthians. Sendo assim, penso que os departamentos jurídicos do clube, em conjunto com o marketing e a própria comunicação entrem na questão.


Se por um lado a imprensa tem por lei o direito de cobrir um evento e de comentar sobre um clube, por outro, esse mesmo clube tem a obrigação, até por coerência e sobrevivência, de prestigiar seus patrocinadores.


Há muitos anos essa prática foi usada por veículos impressos como os do Grupo Folha, que nas fotos colocavam a tal tarja preta sobre o nome de anunciantes ou das marcas de produtos. A parte gráfica dos jornais perdia muito com isso, parecendo uma publicação cheia de rasuras. Porém, essa mesma imprensa cobra o incentivo das empresas ao esporte. Então, como sanar esse perrengue? Sinceramente não tenho nesse momento a resposta exata. Mas apenas acredito que o clube deva fazer prevalecer os seus interesses. Ao mesmo tempo que “não cobramos” para permitir que falem de nós - já disse acima, a Lei de imprensa dá um certo direito aos órgãos de comunicação -, por outro também deve ter a contrapartida. E essa contrapartida, nesse instante, é a divulgação dos nossos produtos, camisas e outros licenciados, sem nenhuma alteração.


Vamos ao diálogo e ao consenso! Não havendo cada qual que defenda o seu. Lembrando: a FIEL quer o Corinthians bem! E o discurso colocado de forma honesta pode até fazer com que a audiência migre. Basta o Corinthians conclamar, repito de forma límpida, o quão é importante que o nome desses investidores tenham exposição nas mídias.


Dentro do espírito de Liberdade de Imprensa e da plena democracia vale deixar claro que ninguém é obrigado a falar do Corinthians em nenhum programa. Mas se o fizer que o faça respeitando seus acordos e aquilo que está oficializado pela sua direção!


E ainda querem vender o nome do estádio. O "Odebrechão" tem que aproveitar hoje com a matérias ao vivo, pois amanhã...




Saudações Corinthianas!

Ernesto Teixeira – A voz da Fiel
Torcedor corinthiano; sócio, intérprete e compositor da Gaviões (8.005); sócio do Corinthians (305.216); idealizador do Comitê de Preservação da Memória Corinthiana (CPMC); colaborador da Rádio Coringão.
Formado em Gestão Desportiva e de Lazer pela Faculdade Drummond